segunda-feira, 27 de abril de 2009

Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.




Preciso de Alguém

Meu nome é Caio F.

Moro no segundo andar,mas nunca encontrei você na escadaPreciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.

Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. (...)

Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

(Caio Fernando Abreu - Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Sort Of Homecoming



"And you hunger for the time. Time to heal, 'desire' time. And your earth moves beneath your own dream landscape. On borderland we run. I'll be there, I'll be there tonightA high-road, a high-road out from here. The city walls are all come down. The dust a smoke screen all around. See faces ploughed like fields that onceGave no resistance. "


Estou cansada de ser enganada, e mais uma vez isso me acontece, e parece que nunca aprendo. É complicado quando se deixa cair novamente. E mais uma vez me afundo nisso, e me perco nessa ladainha. Eu sempre morro na praia e não entendo. Depois, fico pensando e morrendo devagarzinho, sofrendo com cada pensamento novo, e vem vindo o passado, e dilacerando o já recuperado, ou então, quase recuperado furo que aqui, nesse peito vazio e duro como casco de tartaruga ainda perdura, e insiste em viver. Ele não adoece, ele fortalece com mais um suspiro de dor, de tristeza notícia e qualquer outra coisa que venha e pense ser desse lado. Tristeza não me deixa enterrar totalmente, mas não me deixa pensar, e nessa eloqüência de nenhum nem outro, paro, fico e não faço mais nada. Morro de medo de perder o que ainda sobrevive em mim, ou penso que tenho algo para sobreviver. Nem eu sei mais o que tenho aqui. Eu tenho um certo ódio mortal e um rancor que mata qualquer indivíduo quando algo me acontece e nele esta entrelaçado alguém. Não tenho medo de desejar o mal alheio, muito menos das minhas pragas rogadas. Não deveria desejar, mas um bom vingador de bom coração também existe e resiste em muitos pontos, mas não sobre os seus calos.


Eu lembro da última vez de enganação total do corpo meu, foi uma dor no peito, uma pressão entre o músculo e o que há depois do músculo. Parecia insuportável, mas eu ressurgi, e não sei como eu ainda vivo, e me engano e me enganam. Eu pensei nunca, sob hipótese alguma isso acontecer novamente, e mais uma vez aqui encontro-me. Tenho pena de mim mesma, um dó de não entender o porque de fazer e refazer e não compreender o porque de estar errado. Para mim sempre esta certo, e deve ser isso que nubla meus olhos. Aquela dor insuportável voltando, e vem acariciando como quem não quer nada, e vai entrando corpo adentro, falando coisas boas e quando menos se espera, morre! Eu sinto falta de quando eu tinha um pouco mais de realidade dentro de mim, deve ser isso que falta. A realidade dói muito para ser vista a olho nu e não ter um pano que esconda algumas partes. E é assim que eu me sinto, assustada. Não com a realidade, pode até ser um ponto fiel, mas há algo que me assusta, algo que nem eu consigo ver, talvez seja tão mais complicado do que querer entender a todo custo o alheio.


É uma angústia, um sentimento irreparável, algo que não para de andar por dentro de mim, que vai se espalhando pelo corpo, e nesse final de ano, tudo esta se juntando, todas as coisas ruins vem vindo. E algumas novas entram, as velhas vão renascendo, e vai criando-se a bola de neve, que nem fogo consegue apagar. Perdida como criança que chega nova no mundo. Não entendo o que se passa, e necessito a todo o santo custo entender. É inadiável querer descobrir, e parece que com cada novo minuto, uma nova dor. Sem ressentimento de vir dos outros, mas não era necessário, ou então muito necessário para tomar na carne, no osso, mas não aprender? Julgo-me inadimplente para muitas coisas, e com um erro novo, uma perda de chance, ou mais uma vida morta.


Ah! Essa vida em prestação, que a cada mês ao invés de pagar e ganhar um bônus para o mês que vem, eu ganho um tiro a mais e continuamos aqui, contando história. Eu paro e reparo, será que existe sentimento dentro de algo vazio? Ainda, e não me canso de ficar perguntando-me sobre essa coisa nula, esse espaço que não é preenchido, e cada vez mais aumenta. É um espaço sem preenchimento, e me apavoro pensando se jamais vai preencher. Seria uma lástima se nada ocupar isso. Seria um morto, um peso morto, algo que nunca sairá, acabará ou qualquer outra coisa. Extremamente com gosto ruim, vai descendo na boca um gosto ruim, e cria um aroma de tragédia. Triste. Dolorido seria melhor, porque as conseqüências são muito maiores e longas. Eu não quero mais chorar, não quero mais me desidratar por algo que nunca vai, ou me deixou bem. Eu quero esquecer, e nunca mais lembrar, um estilo amnésia, sem reparar em outro foco. Fuja da minha mente, me deixe em paz e não volte. Eu quero solidão!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Oh Darling!




Amigo somente se torna o que é quando o outro, em plena reciprocidade, consegue compartilhar seus interesses, aprende – com muita paciência – a ouvir o outro, e passar toda a sua energia e experiências perante o próximo. E eu tenho toda a consciência do mundo que me cativou, sim uma legitima paulistana, com todos os devidos caracteres de uma cidade grande (que para muitos não é agradável por sua poluição e grande população) conseguiu atrair uma mente interiorana e um tanto quanto inóspita por qualquer coisa. E a transformou no mais belo jardim de todos. Em outras palavras, o que eu quero dizer é, Alice, sim, você conseguiu me transformar no que eu sou hoje, tanto na minha forma de pensar, quanto de falar, quanto de amar as outras pessoas. Aliás, você tem o dom de amar o próximo, e isso é algo extremamente raro. Amar não de gostar, amar de se entregar, de não ver o mínimo problema em estar sempre presente e querer ajudar, doar o próprio sangue para ajudá-lo.



Eu não consigo não ter uma vida passional sem pensar em ti. Eu não consigo me ver viva nesse mundo sem ter a tua amizade, eu não consigo ver algo bonito sem pensar nos teus olhos. Já tentei em milhões de palavras dizer o quanto eu te amo, o quanto eu te admiro, o quanto eu quero o teu bem, o quanto é reconfortante conversar contigo, que todas as palavras que tu fala, emite ou ate omite são de fundamental importância. Eu te amo mais do que você pode imaginar. É um amor de irmã, de amiga, às vezes quem sabe, de mãe. Eu tenho um eterno carinho sobre a sua pessoa, e isso sempre ira existir. Pode entrar dia e noite, pode se passarem séculos, pode acontecer o diabo a quatro, eu sempre irei te amar. Minha vida até te conhecer era extremamente sem graça, e eu não sabia de motivos para viver (pode ter toda a certeza sobre essa frase, é a mais pura verdade). Não existe motivo real para eu gostar tanto de ti, talvez porque tu é mais nova do que eu, e eu sinto a necessidade excessiva de te proteger de tudo o que te aflige. Eu sinto a extrema necessidade de te proteger, não sei se isso é bom ou não, mas é uma proteção que eu posso te dar e não consigo dar para mais ninguém. Podem se passar uma vida, mas depois de um tempo sem se falar, ver e etc, nunca vai mudar em nada, nunca vai se transformar em maldade e ausência, porque com toda a minha consciência e certeza, tu me completa na minha maneira de pensar e de apreciar as coisas.



Eu sei que iremos viajar, nem que seja para a puta que pariu, mas teremos o nosso momento (happy time) e iremos aproveitar isso de uma maneira tão sem nexo e para a falta de entendimento dos outros, que será muito mais divertido. Gastaremos o nosso tempo em bobagens tão insignificantes, que para nós será tão obvio do tamanho a importância e a grandiosidade daquele momento, porque contigo não há tempo ruim, não há falta de equilíbrio, não há, jamais, falta de palavras e de observações. Adoro quando consigo te ajudar, fico aos prantos quando nada da certo, entro em estado de nervos quando vejo que tu não esta nada bem e eu não posso te ajudar, fico sem eira nem beira quando mexem contigo sem ter razão e sem saber o quanto tu vale. Meu maior desejo é gastar o resto da minha vida viajando e conversando contigo, com intervalos para shows, homens interessantes (Larry e Bono), risadas, e boa comida, claro né, ninguém aqui é planta pra ficar fazendo fotossíntese.



Eu sei, e essa certeza é algo concreto, sem voltas, sem rodeios, sem qualquer obstáculo, que eu nunca, na minha vida – por mais longa que ela seja, e se tu não aceitar, será por obrigação, livre e espontâneo força, e digo que será impossível – eu nunca vou deixar você em paz, seja te incomodando, seja te ajudando, seja não fazendo nada contigo – porque até não fazer nada contigo é ótimo, fornece umas boas risadas no final das contas – nunca vou deixar de te mandar uma mensagem, um telefonema, uma carta sem nada escrito. Porque a tua amizade vale muito mais do que qualquer outra realização, qualquer oportunidade que – eventualmente venha a ocorrer – será de grande e bom grado. Porque eu dedico todo o meu tempo e minha mente (que talvez não valha nada) por ti, não hesito só um minuto. Porque eu amo ouvir as tuas histórias, porque eu nunca me importarei de ouvi-las, por mais ridícula que seja, porque, qual o ser humano que não tem histórias ridículas, mas que para ele é motivo de grandes risadas. Desculpa se te atormentei alguma hora, desculpa pelas minhas ausências sem motivos, desculpe-me pela minha falta de paciência algumas horas, desculpa por motivos sem intenção ou sem explicações, desculpe-me por qualquer coisa que eu tenha feito e não foi como esperou ou talvez foi surpreendente o que eu fiz, peço com todo o meu coração o mais sincero perdão por tudo isso.



Não sei mais o que eu estou escrevendo, mas digo que qualquer palavra dita, escrita, pronunciada, é sincera e eterna (acho que estou me repetindo). Enfim, muito obrigada por ter entrado na minha vida, ter feito essa bagunça organizada, que sempre será muito bem lembrada pelo seu grande sucesso. Por mais que doa, que incomode, tenho certeza que essa distância não é ruim, pois manter uma amizade firme por três anos a fio, sem brigas, debatendo, trocando informação, ajudando, tendo toda essa mutualidade, não é fácil nem normal. Valorizo muito isso na gente, valorizo a nossa maturidade de conseguir fazer isso, e a distância,bem, ela é apenas um empecilho bobo, que nem se dá para ver (nããããão, capaaaz) que nos ajuda a crescer, a dar mais importância para o que a gente tem e o que a gente faz. Faz a gente sentir saudade, faz aquele aperto ficar maior, mas nunca é para matar, porque assim vemos o quanto grande e duradoura ela é.



Desejo-te toda a paz do mundo, todo o amor eterno, toda a saúde estimável, toda a amizade carinhosa, todo o juízo necessário ( e muito necessário), todos os dias com sol e sombra para o descanso, uma chuva para que sossegue um pouco os corações fervorosos, uma grama verde para conseguir tirar a fadiga da tua cabeça, e horas de grandes alegrias. Momentos de tristeza involuntária para dar mais felicidade depois, momentos em que a felicidade e a tristeza se misturem, provocando choro e riso juntos. Tempos de tréguas para entender mais o ser humano e seus erros diários. Desejo-te muito mais esforço, mais persistência, mais dedicação, mais ignorância – porque sem a ignorância, com certeza não entenderemos a metade do mundo – mais abundancia. Almejo para ti, menos limites, menos exigências consigo, menos entendimento, menos compreensão, menos ressentimento, menos rancor. Eu te amo muito e nunca quero que nada de mal aconteça contigo, quero ter a tua amizade para sempre porque ela é a coisa mais importante nesse mundo para mim, eu nunca havia conhecido alguém tão especial como tu. Obrigada por tudo Alice, tudo mesmo,por todos os dias que esteve presente na minha vida!


terça-feira, 31 de março de 2009

Horizonte distante


“Do leme ao pontal / Não há nada igual... / Sem contar com calabouço, flamengo, botafogo, / Urca, praia vermelha.”

Quando vai chegando esse verão brasileiro, que realmente é notado pela intensidade do calor, a vermelhidão que aparece no corpo (para os branquinhos como eu, é claro) e o excessivo suor. Esse ultimo, fornece um pouco de nojo, mas esta ali. Além disso, surgem outras mudanças radicais, como a barriga de cerveja, vodca ou qualquer outro álcool para apagar o fogo humano, ou, em certas situações, para literalmente aumentar o fogo. Mas não gostaria de entrar em mérito de beleza estética, corporal, humana e tudo o que diz respeito a padrão de beleza (até pelo fato de ser totalmente contra o padrão estético brasileiro) . Eu prefiro falar sobre como a cidade fica vazia, sem atrações (dependendo da cidade) e etc, também sobre, depois que você vê que esta vazio, o melhor a fazer, realmente é procurar um destino.

Começamos que, quando se te um circulo de amigos ligeiramente pequeno, digamos seis integrantes, e cada um sai para um lugar, não existe nada para se fazer a não ser ficar jogado as traças em casa, se passa por todos os canais de filmes na televisão por assinatura, ou então você começa a ver desenhos animados sem nexo. Leitura já não cola tanto, porque você leu uma lista interminável de livros, todos os filmes da locadora já passaram pelo seu DVD. E não existe água que hidrate, ar condicionado (sem hífen, novas regras da gramática) que gele e cama que agüente o corpo jogado vinte e quatro horas por dia. O resultado disso é uma vida social caótica, mas não há problema que não exista solução. Viaje!

Nesse Brasil gigantesco, feito de varias raças, povos, culturas, uma diversidade sem limites, onde nem o céu é o limite para festas e bagunças. Começando pela bagunça aeroportuária. Aquelas horas básicas perdidas, e as vezes, vôos com horários dramáticos que, chegam a ser engraçados, em pensar em pegar um vôo as três da manha, ou então ir embora de um lugar as cinco da matina. Ver o sol nascer nas nuvens... Para alguns, um sonho! Mas chegar ao seu destino é uma dádiva, principalmente se você for para a praia, onde batalhará com todas as suas forças e até os últimos segundos do segundo tempo por um centímetro quadrado na beira mar. Destinos mais procurados, toda a Bahia, o Ceará, Lençóis Maranhenses, Rio de Janeiro. E em qualquer canto desse Brasil você batalhara pelos mesmos motivos, sem duvidas.

Outro ponto é, se você não vai viajar, resolve ficar na sua cidade, dando dois exemplos opostos. Moramos numa cidade grande, pegamos de jeito São Paulo, você não tem suas companhias lá, não te restara amizades, mas terá grandes atrações, como por exemplo encher o dia de arte indo a Pinacoteca, no Museu da Língua Portuguesa, passeando pelo Ibirapuera e etc, passando pelas peças teatrais variadas, de drama a comedia, de romance a suspense. Ou então gastar horas em salas de cinema, passando algum friozinho por conta do ar gélido do climatizador. Poderá desfrutar dos Shoppings vazios, que é uma ótima pedida ainda mais em São Paulo, sem filas para qualquer coisa, até porque em fevereiro, Carnaval, não há extremo movimento lá. Agora o outro exemplo, fantasiemos que moramos em uma cidade pequena, de noventa mil habitantes (que é o meu real caso) onde, todo mundo em pleno janeiro se esvai do local, correm para as praias , e a cidade que já era pequena, vir velho oeste, onde o vento sopra e dá eco. Onde não se encontra uma viva alma perambulando pelas ruas, e se encontra, são aqueles mitos que cidades pequenas possuem.

Sendo assim, não perca seu precioso tempo hesitando viajar para ficar em casa aproveitando o marasmo, bebendo água com varias pedras de gelo para evitar o excessivo calor. Ao invés de aproveitar aquela praia, ver os famosos barracos por areia, desfrutar das crianças correndo e gritando, jogando areia para cima com as pazinhas de brincar, e ver o pôr-do-sol em grande estilo, aproveitar a noite, não se preocupar com o trabalho ou o inicio das aulas, e esquecer a rotina. Viajar ainda é uma opção no Brasil para grandes investimentos e deleite para alguns. Antes viajar e sair da cidade, do que chafurdar a cabeça no travesseiro, comprar rede e coqueiros, e ficar na beira da piscina pensando que é praia, vamos lá, gaste um pouco mais para o seu prazer, porque o seu dinheiro também é o prazer dos outros.

terça-feira, 10 de março de 2009



E se o amor não fosse suficiente para a minha vida? Onde estariam os amantes latinos de quem tanto sabemos que existem? Talvez eu tenha me perdido em um grande lago azul, olhos azuis, pretos, verdes, tanto faz se são claros ou escuros. Apaixonei-me por eles, cai em tentação e naveguei ate os grandes mares para conquistá-los. Mãos perdidas, em um horizonte sem fim, em uma imensidão sem luz e o milagre desaparece diante dos olhos desesperados. Olhos famintos de paixão, fervor. Tempo que nos carrega para longe, muito mais distante que uma pobre cabeça pode pensar em querer estar.
Amores dissolvidos em água, uns cortados em pequenos pedaços por não darem certo no momento errado. Outros que não se encontram e vão embora, nunca mais se vêem, esquecem que existem. Amores interplanetários, amores sexuais, amores carnais. Apenas todos são amores, que vivem, relutam por algo a mais. Por um espaço inconseqüente, algo onipotente, estão livres para voar, com medo de caírem em mãos alheias, mas estão andando. Mesmo perdendo esperanças, chorando rios de sangue, andando por caminhos obcuros, transcendental, imaginário e desejável.
Fugiram nos enganos da vida, nos problemas de um fim sem sentido, de um dia chuvoso. Não estão navegando no mesmo barco, andando por entre as arvores verdes. Pessoas intervieram nesse meio, como a escravidão antepassada, como os imigrantes que deixaram suas terras. Invasores de corações alheios, destruidores de substancias, não acreditava em seu próprio caminho, intervieram nas casas dos outros.
Espero que o meu coração esteja cheio, esperando por algo, ou alguém o que o faça sentir-se explodindo, de uma fragrância desconhecida, um gosto diferente, um sabor relativamente de rosas. Quero morrer ao seu lado, gastar meu tempo colhendo flores nos gigantes campos verdes, correr para perder o fôlego, e recuperar ele em suas palavras. Quero um romance de cinema, um filme totalmente preto e branco, onde somente as cores nós podemos enxergar. I wish you were here!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A A A A A A A ngústia



Chamamos de angústia a sensação psicológica, caracterizada por "abafamento", insegurança, falta de humor, ressentimento, dor e ferida na alma. Na moderna psiquiatria é considerada uma doença que pode produzir problemas psicossomáticos. A angústia é também uma emoção que precede algo (um acontecimento,uma ocasião, circunstância), também pode-se chegar a angústia através de lembranças traumaticas que dilaceraram ou fragmentaram o ego. Angústia quando a integridade psíquica está ameaçada, também costuma-se haver angústia em estados paranóicos onde a percepção é redobrada e em casos de ansiedade persecutória. A angústia exerce função crucial na simbolização de perigos reais (situação, circunstância) e imaginários (consequencias temidas).



Angústia


do Lat. angustia


s. f.,
estreiteza;
aperto;
limitação de espaço;
opressão;
aflição;
desgosto;
tribulação;
agonia.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Andando por aí algum tipo de palhaço solitário



Essa solidão, que tanto consideram como mal do século. Nem é nada. Concordo que em certos tempos em que você apenas vê casais inteiramente apaixonados, presos pelos pés com um amor ao lado, que diz-se durar eternamente. É quase que nulo não pensar que estar sozinha é uma briga entre você e somente com você, seja por descuido, ou falta de atenção com o exterior, ou então as suas manias que, por enquanto, não atraem ninguém, ou você pensa que não atraem. Mas sabe, solidão não é algo extremamente ruim, é um momento em que tem-se o prazer imenso de auto conhecer-se , e isso é algo totalmente seu e você não terá opiniões alheias, erradas ou não, concretas ou não. Será você com você mesmo.


Há quem diga que solidão é quase que um estado de saudade, onde solidão é alguém que se sente só, com a falta de alguém ou de algum sentimento. Onde saudade é a distância e amor. Onde a falta do amor e o inicio da distância matam o ser humano. Vão quebrando o coração e o psico. Nada muito diferente da solidão mesmo, onde um vazio sobrecarrega e vai perfurando tudo, sem medo de matar. Assim como algo que te remete a infância, a solidão do tempo que jamais voltara a reinar, nostalgia solitária.


Também dizem da solidão estar relacionada ao medo. Ao medo de estar só, de não encontrar alguém que possa fazê-lo reerguer-se em meio a tempestade, como ressaca do mar, que vem se alastrando e arrastando o que tem pela frente sem pensar muito. Em ficar só... Nos desenvolvemos sozinho dentro do útero, nascemos sozinho, vivemos um bom tempo sozinhos, trabalhamos praticamente sozinho (obviamente dependendo da profissão, na minha, muito mais do que sozinho), e quando menos vemos morremos... Sozinhos, ficamos dentro de uma caixa quase dois por dois, sozinhos no meio a escuridão. E ainda persistimos em termos medo e ligarmos, mas tudo bem, conforme o pensamento de cada um, descobrimos coisas grandiosas.


Por outro lado, ainda tento confirmar que, estar só, você e você, é a melhor maneira de começar a entender o que é a sua necessidade e o que mais chama a atenção, proporcionando o que você manifesta. É fundamental sentirmos essa solidão para que possamos refletir e ajustar padrões viciados de conduta e comportamento. Fugir da solidão constantemente significa abafar essa oportunidade de crescimento interior. Infelizmente isso ocorre devido à insegurança, e temor de que a solidão se torne uma constante na vida da pessoa, achando que não terá forças para sair desse quadro devido a um forte complexo de inferioridade pessoal. A solidão está intrinsecamente relacionada com o passado, pois todo ser humano em estado de solidão pensa no mesmo, seja em termos de arrependimento, prazer pretérito perdido, mágoa, raiva, ódio, angústia, saudades, etc. Mas é justamente nesse ponto que reside um fator central, pois o temor à solidão passa a ser o medo da memória, de nossa história pessoal, da avaliação ou prova sobre o grau de prazer e felicidade do eu.


‘...Que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar. Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. - Clarice Lispector’.