quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Don't give up the fight




Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. E você pode evitar que ela vá a falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você. Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões. Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar “eu errei”. É ter ousadia para dizer “me perdoe”. É ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer “eu te amo”. É ter humildade da receptividade. Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz… E, quando você errar o caminho, recomece. Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência. Jamais desista de si mesmo. Jamais desista das pessoas que você ama. Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.

Fernando Pessoa

(Falta de criatividade para escrever, serve para ler outros textos alheios e pensar que, você tem que escrever mais!)

sábado, 31 de julho de 2010

Miracle Drug





Existem pessoas que a gente não precisa procurar motivos para saber por que elas entraram em nossas vidas, muito menos quanto tempo isso vai durar, simplesmente porque, independente do tempo, da distância, da diferença de idade ou qualquer coisa que possa ser um empecilho, elas são inesquecíveis. Elas conseguem fazer nossos dias ficarem mais interessantes, nossas tardes mais prazerosas e nossas noites mais alegres. Indiscutível ainda quando se mora sozinha. Existem fatos que nos atraem mais com umas do que com outras, que nos fazem ter relações mais significantes com uns. Não precisa ter a palavra certa, o jeito certo, muito menos saber se é a hora, basta pensar em algo com intenção amigável que isso tudo pode tornar remédio. Não precisa ser mentirosa, falsa, ou parecer ridícula para conseguir conquistar o coração alheio. Basta ter a capacidade de querer se compreender e compreender o próximo. Existem pessoas que não se precisa de muito tempo junto para saber o que ela é e o que esta mudando na sua vida, sua ação é tão incomparável que você começa a julgar o que as outras pessoas fazem para você, e não encontra razão para querer andar com eles, porque nela, essa pessoa que mudou tanto faz uma surpreendente diferença pra ti. Não se precisa de horas gastas, motivos, encontros, desencontros, surpresas, risos e perdições. Apenas é necessário olhar para alguém tão mais calado que você e tentar descobrir que ela é a verdadeira pessoa que você sempre esperou para você dividir tudo o que há na sua vidinha.

Para todos os tempos em que uma alma sempre habita o nosso lado, para deixar mais vivo tudo o que fazemos ou simplesmente para não nos deixar tão sozinhos em tempos de indisposição existencial. Não tão profunda, nem muito calma, mas para ficar ali, parado, ao nosso lado, somente para sabermos que não estamos completamente jogados pelos cantos, bebendo e comemorando por algo que não podemos compartilhar com ninguém. Aliás, precisamos sempre compartilhar, para deixar mais aquecida a vontade de estar lado a lado. Entendendo, compreendendo, sabendo o que se passa. Talvez, amigos saibam mais sobre a gente quando estamos calados, do que quando falamos horas sem parar, misturando tudo, sem deixar que se absorva nada. Aquela mudança drástica no tom de voz dela, e já paramos para perceber que algo esta totalmente do avesso. Para os amigos mais longes, eles sabem quando uma mísera palavra faz total diferença numa conversa, e a partir daí temos o entendimento de que algo não esta bem. Também notamos quando tem um gesto diferente, que demonstra felicidade por algo, ou quando não tem gesto nenhum, que combina com os olhos caídos e uma coisa que machuca por dentro.

Amizade é tão mais de se olhar e entender, do que falar e não compreender nada do que se ouve. Além do mais, quem gosta de ouvir tanto? Tem tanta gente que não escuta nada, esta somente pensando no que pode acontecer ou no que deve fazer depois. Porém para ser escutado, para falar por tempo indeterminado, somos ótimos. Mas amigos não estão somente numa posição, ou a de escutar ou a de falar, há a troca mútua dessa modalidade, e então surgem maiores amizades. Amigos também tentam levantar os ânimos, o que algumas vezes não conseguem, quando ele desiste de fazer isso, é ai que você se recupera. Porque não esta somente na força de querer ajudar, mas é das mais inesperadas maneiras que as coisas acontecem. Existem amigos que entram em nós por meio de outros amigos. E amigos que brigam com seus amigos, se tornam seus amigos e depois todos são amigos de novo e novo. Amigos de longa data, que se somem e depois voltam. Amigos que nunca voltam. Amigos que na realidade eram meros conhecidos, e a gente começa a descobrir que não era nem conhecido, mas apenas alguém que nunca fez diferença pra você. Amigos que brigam, não pela gente, mas brigam com a gente, contra a gente. E amigos que brigam com a gente contra outra pessoa, e compram uma briga para simplesmente te apoiar. Amigos mais do que amigos. Amigos que queríamos que fossem amores, e amores que não se tornam amigos depois. Amores que se tornaram amigos, mas continuam como amores, e eles nem sabem que os amamos.

Amores que são amigos e que sempre serão nossos eternos amigos, mesmo depois de nada acabar bem, em uma relação tão curta. E os amigos se tornam nossos amores, porque não conseguimos viver sem eles, em alguns casos, queremos mandar alguns amigos embora para sempre, ou para umas férias. Eles podem ir embora, voltar, brigar, chorar no seu colo, ficarem horas contando casos de amores que não deram certo, mas que podem vir a dar, e te apoiar por algo inadmissível, podem não concordar com nada na sua vida, mas eles serão eternamente marcados na sua mente, como alguém que passou por um momento vivido e que esteve tão mais presente que alguém que sempre esteve ao seu lado. Você pode os deixar, mas sempre terá alguma lembrança para compartilhar com outros amigos sobre aquele velho companheiro, que um dia fez horas se transformarem em grandes, perigosos e mirabolantes momentos de felicidade. A gente pode até dar adeus para um amigo, e a sabermos que aquilo nunca iria dar certo porque ninguém cedeu, mas mesmo assim somos tão amigos e sabemos o que é melhor para o outro, mesmo indo embora.

"No fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem."

sábado, 19 de junho de 2010

Nobody said it was easy





Qual é o real peso de quando se sente um enorme peso nas costas, de uma vontade de gritar, desprender, ou simplesmente dizer uma vontade? Quero dizer, existe um medo que repreende uma singela e amigável vontade de dizer, o que pode ser uma solução. Mas um medo combatente se pregado pela dor de uma conseqüente verdade, que muitas vezes, em cinqüenta por cinqüenta porcento, nunca se sabe o que é. Pode bater um arrependimento por dizer tais palavras, que talvez, nunca deveriam de terem sido pronunciadas, e ter quebrado um silêncio noturno, onde doeram muito o físico, batalhando com o psicológico para sobreviver a uma guerra de palavras, de confidências, de verdades a serem exclamadas. A gente se comove muito fácil, mas nos absorvemos melhor nos pensamentos ilusórios do que poderia ocorrer se fosse realmente dito algo.

Sabe a gente tem um medo de errar, de ter que voltar atrás. A gente tem medo da verdade. Assim, como ela é. Não temos a fria coragem de aceitar fatos, de vê-los como realmente são, e seguir a vida. É desumano ter noções fora dos próprios sonhos. Como uma dor que alfineta a ferida, e ainda sim tenhamos que sobreviver. É caso raro aquele que consegue ter o sabor da verdade dolorida, e seguir em frente como se aquilo não o comovesse. É um medo com angústia. Medo com adrenalina. Medo com qualquer sentimento, mas que na bem da verdade, o medo seja prevalecido, porque dele é mais fácil de se agarrar depois que o negativo já se apossou.

A gente pensa que tem tanto tempo, para fazer tanta coisa. Se pararmos para pensar no que já fizemos e no quanto tempo ainda se tem, mesmo sem saber até quando esse tempo irá se delongar. Chegamos à plena conclusão de que não fizemos nada. Pare e pense para ver se alguma coisa realmente mudou de um dia para o outro, em um setor psicológico. Não digo mais feliz, nem mais triste, nem no mesmo vazio de sempre. Mas e esse amor mal resolvido, mal acabado, mal iniciado, ele mudou? Num passar de tempos, ele deu em algo, ou ficou simplesmente na lembrança de não ter acabado? Ou simplesmente no fato de que o comodismo pegou de jeito, e tocar naquilo seria uma forma de remoer o passado e ter, novamente, o medo de não saber no que dará?

Viu novamente o tal medo de que todo mundo odeia se defrontar. Parece morte. Parece decisão entre Paraíso e inferno. Porque tanto o medo de dizer alguma coisa, que pode ou não dar certo, medo é para ser quebrado. Mas o que importa se até mesmo quem vos escreve nasce e vive de medo. Sabe aquele medo de dizer, o que dentro de um coração sempre habita. De pronunciar as palavras que todos conhecem, mas para aquela certa pessoa. Se pararmos para pensar que, eu poderia dizer agora, mas o meu medo do que possa vir é tão grande que é mais fácil deixar quieto. Mas a gente pode passar uma vida querendo dizer tantas coisas para aquele ser, e o tempo passa, e quando vemos, não fizemos nada, nem para, pelo menos, nos aliviarmos de tal sentimento. Uma vez me disseram que a gente, quando tem a oportunidade de dizer que ama alguém ou que simplesmente ela faz diferença na tua vida, é preciso dizer.

Guardar para si o que se sente? Já não temos tantas coisas para se guardar, para nos repreender, e além de tudo isso, a gente ainda tem que ficar repelindo um amor, uma amizade, ou até um ódio? Sabe, de rancor já estamos fartos, de pensar que algum dia a gente vai usar contra ou a favor. Mas guardar tanta coisa é puro desgaste. Seria tão mais simples se todos fossem sinceros para com os outros. Sem as mentirinhas e as façanhas escondidas e semi-abertas que todos fazem para conquistar, reconquistar ou deixar alguém de lado. Se, numa realidade quase utópica, a gente pudesse não pensar muito no que as pessoas iriam pensar sobre as nossas atitudes sentimentais, seria em suma, muitos porcento a menos numa escala medrosa e de arrependimento. Por fim, se eu pudesse, por um milésimo de coragem, pode dizer o que aqui dentro habita, seria quase que uma conquista heróica de um medo dramática, de um conto de fadas quase trágico, de uma personagem nada brilhante, em meio de crises amorosas de um rapaz que tal nem saiba que ela o ame tão fervorosamente.


"Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro - dentro de mim?"

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Para você que se foi... (Trizteza)





Eu gostaria de aprender, ou no mínimo descobrir como se faz para te esquecer. Fica trancado aqui dentro, pertinho do coração e entre a boca, uma sensação de que eu já deveria de ter te tirado de dentro de mim. Apesar de saber que isso é uma realidade dura, e que todos já disseram que isso deveria de ter acabado, a mim parece tão mais difícil. Naquelas angustias de que já se passou tanto tempo, e eu ainda nessa mesma dor e ladainha de não te esquecer, não tirar isso o que me prende. Uma vez eu já tentei, mas você voltou. Outra vez eu tentei, mas não me agüentei ao ponto de te apagar. Parece com algo que não quer sair, que a cola já grudou tanto, que os resquícios ainda unem o que resta. Talvez ela cole os pedaços restantes de um coração já estilhaçado. Eu deveria de fugir, para mim essa é a melhor alternativa. Eu deveria de correr para o mais distante, sem nada que me ligasse a alguém. Não quero mais estar ligada a alguém, cansa-me essas conexões e que no seu final, não passam de uma dor incontrolável que se arrasta e perdura por algum tempo indeterminado, que não sana nem com lágrima, nem com riso. Somente permanece.

Parece tão simples quando se diz “vou te esquecer, apagar, nunca mais saber de você...”, mas a prática dessa premissa é uma ilusória dor de que isso não acontece tão facilmente. Ilusória são todas as coisas que a gente vai colocando dentro do coração, achando que são verdades, e no fundo, tudo aquilo é apenas uma imaginação incoerente criada por alguma ferida antiga que queremos curar. Uma vez, num dia desses de chuva fina, com uma nevoa calma, ouvi as palavras de Leoni e sempre me recordo quando tento esquecer algo, elas falavam “Eu já ouvi 50 receitas pra te esquecer, que só me lembram que nada vai resolver. Porque tudo, tudo me traz você, e eu já não tenho pra onde correr...”. E partindo disso, é a mais pura realidade minha, e de alguém que já não agüenta mais furos e buracos atravessando o seu coração, ou aquilo que chamamos de coração, porque formato já não há. Pára e pensa. Quantas vezes já quis esquecer e apagar alguma coisa, e isso parece ter aparecido com muito mais freqüência do que quando gostaria que aquilo fosse seu? Nas mais variadas formas, quanto mais se esquece, mais se lembra. É tão difícil chegar ao estágio de olhar para aquele individuo e não ter alguma coisa que saracoteie mais que confete em carnaval. Dói quando o vê com outrem. Deixa em êxtase quando ele fala com você.

Essa dor é tão única e própria, que não se sabe o que fazer. Não se pode enlouquecer. Não pode perder-se. Não pode demonstrá-la. Parece que ela não existe, mas fica tão aquecida dentro da gente, que não sai. Mas o pior não é o esquecer, mas sim o não querer esquecer, ou fazer que esqueceu, mas ele esta muito bem vivo dentro de ti. Continuando na letra da canção, “Eu respiro tentando encher os pulmões de vida. Mas ainda é difícil deixa qualquer luz entrar... Ainda sinto por dentro toda dor dessa ferida, mas o pior é pensar que isso vai cicatrizar...”. Naquela agonia de que, você o ama, você o quer, você tem planos, mas, apesar de te machucar, cortar, e estripar o coração, você absolutamente esta consciente de que deve esquecer, mas no fundo, bem no fundinho, a dobrinha do coração, você o quer na sua insana mente. Isso é algo tão louco, querer algo que machuca e ter carinho por isso. Aliás, essas partidas são tristes e insanas, porque nos deixam insanas. E como experiência ou palavras de alguém que vos escrever: eu não quero deixar ele partir, eu não quero perder um só minuto sem ele, eu desejaria tudo novamente, mas eu quero te esquecer e não consigo. Demente não?

Sabe eu fico pensando, seria melhor a criatura te falar “Hey, você, sua cega, fazendo papel de idiota me amando, olhe para você, veja o que você é, e o que não foi, e vá... vá embora, para o mais longe possível. Eu te odeio, indiferente para mim, foi apenas mais uma...”. Essas palavras bobas e chulas, que numa mente amante, isso fazem uma dor imensa, e que transborda a indiferença e falta do que você é. Fere tanto que, às vezes, não se agüenta de tanta dor. Se isso acontecesse, começamos a pensar para onde correr, o que fazer, quantos litros de água deveríamos de tomar e hidratar o corpo somente para expeli-la em forma de lágrimas. Doloroso. Mais doloroso que isso é pensar que ainda pode dar certo. É firmar-se na esperança. É achar que num futuro não muito obstante, isso pode dar certo. Como eu sou boba por acreditar nisso também. E o que mais se torna insuportável, são ouvir e ler promessas, admiti-las, mendigar por elas. Insuportável é ver o seu sorriso, é acompanhar seus olhos, e hipnotizar-se por eles, e em nada acontecer. Insuportável é o que nos faz acreditar que tudo isso é verdade, enquanto o usufruir por pleno prazer é tão normal.

Escrevo com um pesar, com uma dor, com uma angustia de te deixar, que é só minha. Única, exclusiva. Uma dor que eu carrego por tentar ver que isso tem futuro, que isso pode vir a calhar em algo decente. Mas a gente só se cria na esperança de um futuro. Enquanto no presente, eu estou ferida por somente acreditar e nada obter. Nenhum ser humano é forte o suficiente para acreditar, sonhar, ver-se nisso, e não ter resultado. No mínimo desanima. Escrevo isso, porque talvez seja a melhor forma de eu mesma tomar consciência de que esquecer seria uma forma ótima para não lembrar, mas que a dor de ler seja tão fortificada se unida às lágrimas de realmente ver isso. Uma verdade a se seguir. Queria poder te dizer tudo o que aqui esta entalado há cerca de um ano. Dizer o que se passa. O que essas tuas ausências me causam. Queria te acusar de dono dessa dor. Mas não posso te submeter a tanto. Eu queria tanto te dizer tudo o que eu penso de ti, e da tua mudança repentina de ser. Mas me contestam, dizem que não posso me atrever a te falar isso, porque já é de praxe, clichê. Talvez você já esteja muito acostumado a todas se apaixonarem por você, que nem tem mais graça em ouvir suas palavras. Mas as minhas palavras seriam bonitas, e adormeceriam os ouvidos. Tenho medo de dizê-las, simplesmente por ter medo de você.

Pronto! Tenho que te esquecer, para não ter mais medo, para não ter mais essa dor, não ter anseios, pesadelos durante a noite e passar frio no vento congelante. Ensina-me a te esquecer? Eu suplico!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

J'veux ton amour





Eu sei que um dia a gente não tinha problemas, mentira, tinha sim, o fato de ter que contar pra mãe que se cortou subindo numa arvore que tinha espinho, isso era um problema enorme. Depois disso, o problema se transformou em como a gente contaria para a mamãe que tirou um B na prova, o que mais tarde se mostra um 5, 4, 3, 2, 1... Às vezes era difícil tirar um zero, mas havia a possibilidade, ai o problema se resumia em como contar tal tragédia. Achávamos sempre que era um problema grande tudo isso. Então, mais tarde passa para o problema de querer ser mais velho quando se tem, mais ou menos, uns quinze anos, porque todo mundo na adolescência que atingir a maioridade. E o que os adolescentes não sabem é que, quando se atinge a maioridade normalmente não se quer mais regredir na idade, porque é uma fase inenarrável. Todavia, tem seus lados negativos drásticos.

Um dia a gente também chega numa fase, não importa a idade, mas normalmente depois de algumas experiências, que se deseja constantemente voltar ao que era antes e o que havia antes daquilo ocorrer. Algum exemplo, o fato de não ter alcançado algum objetivo grandioso, como um emprego, uma aprovação na escola, faculdade. Aprovação dos pais, dos irmãos, dos amigos (o que, algumas vezes, é muito doloroso e impactante). Então você pensa em todas as coisas que fez, ou melhor, no que deixou de fazer, e no que essas conseqüências que vieram são extremamente destrutivas. Você deseja tanto voltar a ser o que antes fora que esquece o que você é.

Existem aquelas feridas expostas, que com o tempo vão se fechando, vão mostrando que há uma cicatriz, que alguma coisa pode curar, e que agora não arde tanto como antigamente. Essas feridas vão se mostrando amigas, vão falando que agora, agora esta tudo bem. Até o dia em que parece que não houve uma casquinha que realmente tapasse aquilo. É um furo, uma cratera, que não fechou em nada. Um vulcão que depois de algum tempo, indeterminado, ele entra em erupção e jorra para fora tudo o que ficou guardado por um tempo. Vai se juntando força, fogo, angústia, ânsia, e vai borbulhando, se aquecendo, até chegar num ponto em que explode, numa densidade emocional tão bombástica, que se tu fores pegar o primórdio da dor, é grotesca, mas interessante de se mexer. Elas ardem muito em dia de chuva, que se recordar das lembranças, bate uma nostalgia inexplicável, onde parece que vem numa tristeza, mas no fundo é uma alegria acobertada, porque nem todos levam como alegria relembrar fatos bons.

Voltando a ferida, ela vai ardendo e abrindo, vai machucando, e tem um ponto crucial que incomoda, que lateja feito louca, que parece mais com tragédia grega do que outro gênero literário. Que se faz de alegria dor, que deveras sentir calma ao invés de inquietude. Deveras também ficar um pouco isolado, só para não fazer tanto alarde, mas feridas não sabem ser como mãos, que passam devagar pelo rosto e ficam adocicando a pele. Ferida é arma letal, que machuca, quase matando, que arranca pedaço, que não tem medo de estar fazendo o mal para a gente. Ferida pode ser exemplificada como mãe, que ensina. Alguma coisa ferida sempre ensina, seja ela para o lado bom ou para o lado ruim. Ferida é como amigo sincero, tão transparente que deixa a verdade exposta e nos faz chorar como crianças, quando nos cortávamos nos espinhos.

Às vezes, a gente acha que esta tudo tão bem, que somente os nossos amigos e algumas festas podem cessar uma dor de ferida grande, dor de gente grande, que quando menos vemos, sempre tem a essência incomodando. Aquele ponto fixo que é o gerador de tudo, que fica ativado vinte e quatro horas, fazendo essa dor rodar como louca. E a gente começa a perceber que não quer mais senti-la, que quer que ela se esvaia de uma vez, que aquilo não pode mais fazer parte de ti, como humano. Então deparamo-nos que não existe mais o que fazer para que ela se vá. É inútil lutar contra essa dor, essa ferida que nunca sara. Que nem casando sara, que nem chorando sara, que nem arrancado fora, ela sempre será tua, até o dia em que, ou aquilo seja resolvido, ou então você apague o passado, impossível de vez. Achamo-nos tão fortes por lutar contra injustiça, sacrifícios, contra desapego, mas desapego da nossa ferida sempre é tão complicada. Viu, não é injusto, mas é inútil lutar contra as dores do amor.

sábado, 10 de abril de 2010

All about Ana... Ou um pouco sobre Ana!





Dizem que as librianas são falantes por natureza, onde reina uma doce e sofisticada mulher, com um sorriso insuportavelmente delicioso, entre outras devidas qualidades, e milhões de defeitos irreversíveis, como a indecisão cruel, umas manias “quase” incontroláveis, com alfinetas, comentários, afirmações e apoios um pouco constrangedores, dependendo do que se trata, e maníacas por estética, beleza e corpos perfeitos. E para não cair muito longe do pé, apenas desconsidero algumas coisas comentadas sobre tais mulheres, não posso perder um pouco dessa vitalidade astrológica, ainda tento entrar no conceito “libriana”. Para desespero de uns, onde podem achar que nada se encaixa entre eu e possíveis comentários sobre seu comportamento. Ou então ver que estamos realmente falando de coisas que se complementam e se formam perfeitamente. Mas prefiro dizer que, de dias focados há dias em que não se tem a mínima vontade de saber do que se trata, de dias cansados há dias onde não se há um fim no dia, que a quebra para um descanso é cessado por mais alguma outra coisa.

Dizem que há um certo controle sobre o que essas criaturas amáveis fazem, e quando se descontrolam, mostram-se controladas. Dizem que estou muito tranqüila perante tudo, e o mundo (bem escondido aqui) esta desabando, queimando, e não entendendo o porquê de estar tudo tão barulhento. Externamente é simples deixar tudo tão calmo. Parece paz transcendental. Dizem que a Ana é a pessoa mais calma, mais descomplicada, e que esta num momento zen vinte e quatro horas por dia. Queria eu ser assim, tão simples de viver seria. Porém a realidade inventada sempre é mais pratica, mais animada. A realidade verdadeira é o contrário do já pensado por alguém que, superficialmente me conhece. Onde a minha pressão sobre todas as coisas é tão mais forte do que um sorriso forçado, ou uma frase que sai quando não se quer dizer.

Eu sou uma parte gritante, que quer tudo, que quer sair, correr, pular, gritar, sem medo de ser a eterna e velha criança que viveu por alguns anos. E outra parte um pouco mais calada, e implicante com tudo. Uma parte velha, uma parte mal-educada, mal resolvida entre o que se quer fazer e o que “eu” deixo fazer. Sou a antítese de que hoje eu vou fazer isso, e não faz porque se perdeu a vontade em dois segundos. Sou à força de vontade que quando aparece, parece ser única, verdadeira e a força de todo mundo – porque ela simplesmente é tão grande, que dá vontade de ajudar o mundo todo em um piscar de olhos. Eu sou o desânimo, que quando bate é arrebatador, é desgastante, intragável. Sou o otimismo, que algumas horas esta tão nublado, e chega uma frente fria de pessimismo, que algumas horas depois de tempestades fortes, o pensamento tenta virar o clima, e a predominância de otimismo volta.

Dizem que eu sou leal. Gosto dos meus cães, dos meus amigos. Dos meus amores, eu dou tempo, refino com a paciência – que nem sempre aparece – com o tempo, com a perda, à volta, com o que deixou de ser. Sou fiel ao que me dizem, ao que eu digo e o que eu pensei em dizer. Talvez eu diga poucas coisas, mas quando eu digo, é a mais pura realidade (principalmente se tratando em relações amorosas, fraternais, amigáveis, e também as detestáveis). Dizem que eu tenho um senso de conversa grande, e que estou sempre com a palavra perfeita para ser dita, mas só em alguns casos – considero eu – outros casos, eu prefiro não dizer, omitir ou somente pensar que não ouvi aquilo. Tenho a palavra certa para a pessoa que eu acho que aceitaria bem aquilo e no momento em que eu penso ser propício para ser expressa.

Eu sou dramática, quase como uma novela mexicana, onde se faz cara de tragédia para algo que não merecia muito, e cara de extrema felicidade e muito válida quando é para ser mesmo. Sou quase uma atriz, que consegue mentir para agradar, para não brigar, para não se compreender como gente. Sou amiga quando era para ser amante, amante quando era para ser inimiga, e docemente amiga quando é para ser amiga mesmo. Sou alegre quando tem frio e sol, mas que ele não esquente muito. Sou apreciadora de pôr-do-sol, porém de preferência numa praia, ou da janela do meu apartamento. Ou então ver o mesmo acompanhada. Sou uma sedenta por alguém ao meu lado, que não seja tão chato como eu, que fale mais do que eu, que entenda mais do que eu, e que saiba que, eu jamais vou decidir. Tenho mais planos para o futuro do que uma vivência para o presente, mas sempre com olhos no que já passou. Sou uma eterna nostálgica. Choro, esperneio só para lembrar o que já passou e para ter um arrepio lembrando o que me fez bem. Tenho tentado ter um jeito mais doce, mas tem as amarguras que sempre pesam tanto. Tenho os medos comuns, como medo de altura, de escuro, de solidão, de mar, de sono profundo, de sonhos que não se compreende bem, tenho medo de falar o que sinto e o que eu penso. Tenho medo de coisas que não fazem tanto sentido, e prefiro deixá-los bem escondidos. Tenho um senso de humor que varia, uma hora eu estou sarcástica como nunca, outra hora meio desentendida do mundo, uma hora de birra, uma hora de humor negro demasiado, e uma hora algo que não se explica, aonde vai além da gentileza. Tenho gostos inusitados, meio alemã, meio italiano, meio infantil – se relacionados a alimentação. Nada de verdes perto de mim.

Tenho jeito de mais velha, bem mais velha do que a minha idade. Tenho um desentendimento antigo com o que eu faria profissionalmente, o que hoje se resumi a pouca coisa como literatura. Pouco no modo de expressar o que é, muito na tarefa de critica literária. Tenho sonho de escrever, o que às vezes se desenvolve, outras vezes desce, e dias em que eu nem sei escrever meu próprio nome. Tenho um conceito sobre tudo e para tudo. Tenho tentado ter um embasamento maior, mas talvez algumas limitações me deixam menos comprometidas com isso. E em matéria de comprometimento, tenho um instinto londrino quase impecável. Impecável também meu estado nervoso para certas coisas, minha ansiedade incomum, e uma maneira tão fácil de esconder tudo isso. Tenho cara de sonsa algumas vezes, mas eu estou muito mais longe do que quem esta falando algo sobre isso. Tenho ouvidos pobres para audição. Olhos fracos para visão, mas uma mente bem divertida para qualquer hora. Tenho meus momentos de puro estudo, como se fosse a mais renomada pessoa para tal assunto. Outrora sou a completa imbecil em alguma parte, mais infantil, mais insegura, mais indiscreta, mais procuradora. E procuro como nunca, apesar de algumas vezes não achar e a coisa estar ao meu lado. Sou fresca, desastrada, impossível, faço que não vejo, faço que não ouço, faço que não falo. Sou muito simples de ser maleada, mas não manipulada, apenas um pouco aceitável.


“I have climbed the highest mountains. I have run through the fields. Only to be with you. I have run I have crawled. I have scaled, these city walls. Only to be with you. But I still haven't found what I'm looking for. I have kissed honey lips. Felt the healing in her fingertips, it burned like fire. This burning desire. I have spoke with the tongue of angels. I have held the hand of the devil. It was warm in the night. I was cold as a stone. But I still haven't found what I'm looking for.”

Um pouco para muito. Assim como amor, não se sabe muito sobre o que se sente, se vive, se ama, se concretiza e se neurotiza. Apenas um pouco para tentar não deixar complicado o que habita há tempos...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Deixe existir amor





Eu já cansei de escrever coisas pra você...




Minhas palavras parecem que já não fazem tanto sentido agora. Pelo simples fato de que já escrevi tudo o que poderia definir o que aqui dentro lateja. Não há nada mais para dizer, quando todas as palavras já foram arremessadas para o céu e não há mais como agira unilateralmente.


Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.